Saiba Mais

Da reciclagem para a universidade

Coleta seletiva ativa de quatro mil pessoas garante educação especializada em projeto do Instituto Ipê Cultural

O mineiro Paulo Botelho nunca imaginou que o meio de vida o levaria ao banco da universidade. Depois de aproximadamente um ano fazendo a seleção de resíduos na Associação de Recicladores e Catadores Autônomos de Uberlândia (ARCA), virou artesão no Instituto Ipê Cultural, num projeto de artesanato sustentável. Agora, ele acaba de se tornar o primeiro membro da família a ter acesso a uma faculdade.

Botelho começou o curso de Design Gráfico na faculdade Esamc. “É um sonho e através dele poderei realizar os outros. Estou tendo a oportunidade de crescer”, afirma o mais novo universitário.

Ele é um dos 17 jovens que participaram do projeto “Adote um Oficineiro” do Ipê Cultural, criado em junho de 2009 com o objetivo de estimular a educação das pessoas que vivem à margem da sociedade, prepará-las para o mercado de trabalho e novas oportunidades de emprego. “O Paulo sempre foi dedicado, comprometido e muito certo de seu futuro. Prestou e passou no seu primeiro vestibular. Por isso, decidimos destinar toda a verba conseguida por meio da coleta seletiva (pouco mais de quatro toneladas por mês) para a bolsa de estudos dele. Mas, assim que chegamos com a proposta de pagar a mensalidade com o material que arrecadamos, a Esamc nos presenteou com uma bolsa integral”, conta o coordenador do Instituto Antônio Pedro da Costa Neto.

Com a doação, o Instituto investirá o valor arrecadado com a coleta seletiva em outro oficineiro já selecionado. “Isso é um grande passo da coleta seletiva. Com o material reciclável de quatro mil pessoas conseguimos prover educação especializada. Agora pense em quantos outros jovens seriam beneficiados se os 700 mil moradores de Uberlândia assumissem a responsabilidade dos resíduos que geram”, reflete.

Para garantir a bolsa nestes cinco anos de curso, Paulo terá que manter a freqüência em 75% e o desempenho em 80%. Meta fácil para quem tem o apoio de toda a equipe. “Somos um grupo forte e todos se comprometeram a ajudá-lo, além de acompanhar de perto o desempenho dele durante o curso”, conclui Antônio Pedro.

Sobre o projeto
O Adote um Oficineiro é um projeto pautado no estímulo à educação e desenvolvimento de carreira que oferece uma oportunidade real de mudança de vida. Os oficineiros que entram para o projeto têm como benefício uma bolsa mensal, vale transporte e alimentação, tratamento médico e odontológico, acompanhamento com nutricionista, oficinas, aulas de inglês, palestras, workshop, educação ambiental, além de atividades de entretenimento como visita ao museu, cinema, teatro, exposição, restaurante entre outras. E para os que se destacam na escola, são oferecidas bolsas de graduação e cursos profissionalizantes.

É pré-requisito para ser um oficineiro estar estudando ou voltar a estudar, ter iniciativa, vontade de aprender, atitude e comprometimento.

Para adotar um oficineiro entre em contato com o Ipê pelo telefone: 34 3214-5447

Enviar por email Enviar por email